domingo, 17 de maio de 2009

Sentido

Não faço o menor sentido. Nas minhas variações indefinidas e constantes, nas velhas questões existencias que me acompanham eternamente, na ansiedade louca, nas milhões de tentativas frustradas de parar de roer as unhas e pensar logicamente! Não sei o ponto médio. Eu explodo ou silencio, sem nenhum aviso prévio. Mas o que eu gosto mesmo é de sentir. Aos pouquinhos eu tou aprendendo que viver à flor da pele tem lá suas vantagens. Que não tem problema em chorar com propaganda de banco e que eu não preciso parar de sonhar para ter os pés no chão. Que sorrir é encher a vida de uma promessa gigantesca de felicidade, é se colocar à disposição, é querer ser feliz! É abrir as portas, as janelas, é se escancarar pra vida!

Não quero fazer sentido, porque assim eu pararia de tentar entender. E pararia de me surpreender, de me atirar vendada morrendo de medo, de me arriscar em mim mesma...Só sentindo.

sábado, 16 de maio de 2009

Eu

















Risos de canto de boca. Olhares timidos, que falam mais que os cotovelos. Bochechas vermelhas, borboletas na barriga, frio na espinha.. O mundo inteiro! Suspiros baixos, voz rouca, meia luz e solidao embora. Dias que amanhecem logo, cheiro de casa, colo de mae. Musica, musica, musica. E poesia. E sorvete. E abraço apertado. E a sensação boa de que estou protegida.

Sensação














Sou baiana. Tenho 21 anos e um milhão de sonhos. Nasci de pais que se conheceram no Carnaval, e que são meu maior exemplo de vida, de amor, de força e coragem. Aliás, tenho que dizer, não sou corajosa, apesar de todo mundo teimar que eu sou. Como também não sou bem resolvida, nem madura, nem nada. Eu sou uma criança, e não me incomodo com o fato de não ter crescido ainda. Eu tou buscando uma coisa que nem eu sei explicar ao certo o que é, mas que se tivesse um nome, o mais próximo seria... Liberdade!

Atualmente eu vivo em São Paulo, e vou ficar aqui por mais uns anos. Só mais uns. Eu moro só, com um jacaré de pelúcia que ocupa a minha cama inteira, e agora uma vaca branca, azul e preta, que, inclusive, namora a vaca branca, rosa e preta de uma amiga minha. A gente comprou elas juntas, numa viagem que a gente fez com mais outras duas amigas (uma viagem que, de tão perfeita, até agora não me parece real.) Pensar naqueles dias me faz rir. E rir é uma das coisas que eu mais amo na vida! Um dia desses, eu ri no meio de uma aula de Genética, porque lembrei de um momento especial, e foi uma delícia ter esses segundinhos só meus... Adoro quando o acaso me surpreende com uma recordação boa no meio de um dia chato.

Recentemente eu descobri que gosto de fotografia, que amo preto-e-branco, mas que, definitivamente, não sirvo para fazer poses. Se pudesse, teria mais paredes em casa, para colocar mais quadros, mais colorido! Um dia ainda aprendo a usar esse monte de cores, ainda aprendo a transforma-las em sentimento... Ou vice-versa. Desde pequena eu fiz trocentos mil cursos pra ver se desenvolvia meu lado artístico, criativo: aulas de teclado, de costura, de bordado, de violão, de ballet, de canto, de desenho, etc – não adiantou muito, porque o que eu sei fazer bem mesmo é dormir!

Não gosto de hospital, nem de sofrimento, nem de dor – mas não me enxergo trabalhando com outra coisa na vida, senão com essas pessoas que precisam, acima de tudo, de amor. Um amigo me perguntou uma vez como seria o mundo perfeito pra mim, e foi bem difícil descrever... Só sei que certamente todas as pessoas, invariavelmente, teriam oportunidade de ser o que quisessem. É engraçado, porque até eu mesma, hoje, estou bem longe de saber ao certo o que eu quero ser (quando crescer) - mas eu fantasio, sim, uma penca de filhos correndo para o mar num dia de sol. E uma casa com muito verde, e beija-flor indo beber água no quintal, e vento balançando a cortina estampada da janela. Como imagino tudo com som, com trilha sonora, com ritmo, com um tom único e especial. Aliás, tenho escutado uma música ultimamente que tem me feito desejar um algo novo, indescritível, inexplicável, mas que eu quero, e muito. Chama “Sensação”.

Não quero mais fingir.


Não quero mais fingir. Nem quero fazer como se tudo fosse pra sempre. Não é. A verdade é que tudo é pra agora, e com bastante pressa. Todos os meus desejos urgem, e me explicitam a alma. Quero rir. Rir desesperadamente. Rir daquele jeito que faz meus olhos brilharem e transparece tudo o que há em mim. Quero respirar o mais fundo que eu conseguir, até sentir os meus pulmões vivendo. Quero enxergar mais com ele, o coração. Quero ser uma canção boa, daquelas que fazem a gente fechar os olhos e dançar. Quero tomar banho de sol, banho de chuva, banho de mar, banho de espuma, banho de sal, banho de vida! Quero virar a esquina e encontrar um arco-íris, e quero gritar pra todo mundo ouvir a mais pura verdade de ser eu, sem vergonha, sem medo. Sem a menor ansiedade. Quero contar uma história bem contada, com os mínimos detalhes e uma gargalhada no final. Amanhecer com uma sensação de ontem, e outra de daqui a pouco. Quero entardecer com uma surpresa boa, e descobrir tudo o que há, ao anoitecer. Quero ver a lua, pisar nas nuvens e enfeitar todo o céu. Quero aproveitar a tinta e colorir o dia de alguém. Não quero mais me esconder. Nem quero fazer como se tudo fosse um julgamento. Não é. A verdade é que tudo é mesmo pra agora. Tenho pressa. Mas tenho, também, todo o tempo do mundo...

Riso



Andei ensaiando um riso novo. Pus a mesma música e desatei a abrir e fechar a boca, na tentativa de encontrar o meu riso mais largo, o meu riso mais riso. Não funcionou. Talvez a música não fosse aquela. Mudei o cd, e ainda assim, o riso não veio. Tanto não veio como ainda deu lugar a uma lágrima, maldita lágrima! E daquela lágrima veio o choro, o soluço, e a necessidade de um pano para enxugar o rosto. Talvez não fosse aquele o jeito certo de sorrir... Santa inquietação! Senti saudade de umas motivações antigas, bobas, que me faziam estremecer involuntariamente. Cavocando lá no fundo, elas me aparecem na retina novamente. E eu lembro... Pronto, estancou. Levantei do sofá, saí na porta, e não é que ele veio? O riso...

Compõe e decompõe

A vida é essa mistura de vale tudo. Se tenho nos meus atos assinaturas que reconheço, não sei. A mim me serve qualquer coisa, ou pelo menos é assim que eu vou levando. Ao som do Paulinho Moska constato, “tudo se compõe e se decompõe”. E de castelos de vidro vamos vivendo, fantasiando nossos sonhos em desertos só nossos. Ando em cacos, pisando em ovos, recompondo as pequenas coisas e montando o quebra-cabeça. Montando a mim mesma. Tá mexido e confuso. As coisas boas eu ponho no bolso da calça jeans, escondidinho. Das ruins, me escondo eu. E quando elas me pegam, me levam de jeito.

...

Deixa o garoto ir um pouco embora, virar homem, maturar-se, transformar-se, encontrar-se. Qual a beleza da criação? Meus labirintos se perdem neles mesmos, me sobra o nó, que eu não desfaço. Pergunto eu, desse lado aqui: jura, você, pra mim? Peço com jeito, com essa fraqueza boa, essa vontade mole de deixar nas suas mãos. Enquanto o mundo vai rodando, eu me jogo...

Uma página que nunca acaba.



Uma potente sensação de qualquer coisa me submerge. Entre raios de luz e a tentativa de deixar o sol lá fora, a paz e o abismo. Ao sabor de inspirações subjetivas me faço viva, e aí, nos cinco minutos daquilo que me toma, eu viro eu. Só eu, absoluta. E quando o encanto acaba, volto aos passos frouxos, à velha dúvida de sempre, aos suspiros cansados de todo dia. Eu gosto mesmo de mim é quando eu explodo! Rio de mim, do sopro da música e da batida forte no peito. Gosto do limão, de CDs, luzes que piscam e sorrisos de canto de boca. De chuvas de verão, conversas no corredor e palavras não ditas. Uma nova perspectiva toda vez, pra pegar outro fôlego e encarar a falta de ar. E a tal página que nunca acaba.

“Depois de duas horas de doce insônia, durmo calmamente...”